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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Pelos olhos fechados*

As crianças se perderam no bosque

E mesmo com sol faz frio

Ate' a flor chorou madrugada de hoje

Quando eu a esqueci pousada na pedra do rio

E as folhas sorriram ao fazerem sorrir

Mesmo quando não havia mundo

Nem céu nem mar levaram-me para passear

Ate que chovia menos, pior era a vontade de partir

E tem o pior de não saber pra onde ir

E ir pra que?

Se antes, muito antes eu passeava por aqui

Triste e’ não ter o que esperar

E felicidade não se resume em saber o que se quer

A lágrima da flor me tocou

E acho que foi de tanto esperar

Que o tempo já não quer passar

A volta tarda e a vida o vento já levou

Ficou difícil entender o giro de quem canta

E’ mão com mão na cantiga do meu sonho

Mas já descobri que meu sonho e’ mudo

São só crianças com medo do mundo
Brincando de sorrir nesse giro maluco

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ator sem personagem

Corta o pano da cortina do teatro
Pega retalho, cobre face, cobre o corpo
Tem tanta gente na platéia sem sorrir
Observam a comédia da mentira sumir
Sumiu, sumiu! Por que não sorriram?
Pegue as máscaras que no chão estão
Os cacos de um antigo personagem
Não deixes que tristes se vão
Tenha coragem de mostrar o resto do teu ser
Que há muito já não é.
Jogaram-lhe uma flor sem cor
Mas se flor é invente o que não tem
Cheiro, cor para a flor
Pense que jogaram sem cor por amor
Se ator é crie o que deixou de ser
A platéia quer levantar sem sorriso oferecer
Então corra na caixa que caixa já não é
E pegue um personagem sem você ser
Antes que pensem em tragédia
Que ator sem personagem tragédia é.

sábado, 18 de junho de 2011

Da madrugada... Você!

Vou te tocar e ter mais de você
Jogar o conhaque fora e ficar pra ver
Todo o drama do teu nobre querer
Eu vejo você chamando a mim
E teu corpo é tão quente
Vou ficar por aqui!
Me dispa e sinta meu breve chamado
Sem você meu bem, sou só um ímpar 
Um ímpar vencido, sem ter vitória à gritar
E eu grito seis, mais três que nove fica
E eu aceito, blefo com espadilha na mão
Mas na nossa vontade é só a gente que ganha
Ganha o sussurro e o grito de amor
Mas você já sabe que ganhando ou perdendo
O vinho acaba e quando acaba a gente se deita
É deitada que grito você, e é só você todo o tempo
O tempo invertido parece um nunca mais
Nunca mais vou dizer tchau
Só se amanhã não gritar meu nome
Mas grite sim, em tremor e em vontade
Grite meu nome meu nobre querer
Peça você dentro do meu eu,
Pois peço você comigo fora do teu ser!

domingo, 29 de maio de 2011

Se eu pudesse



Ah se eu pudesse acabar com a tristeza do mundo
Levar amor ao mais escuro submundo 
Ah se eu pudesse levar paz pro lado da discórdia
Levar o perdão aos que vivem aflitos na espera da vingança
Ah se eu pudesse fazer brotar sorriso embaixo da lágrima de quem chorou
Levar satisfação aos que frustraram-se olhando no espelho
Ah se eu pudesse cantar pra todos ouvirem o meu canto de paz
Levar uma flor no lugar de bombas e armas
Ah se eu pudesse levar garantia do alimento do corpo e da alma
Do arroz com feijão e da peça, da canção
Ah se eu pudesse abraçar o mundo
Levar fé ao enfermo em agonia 
Ah se eu pudesse entregar esperança em uma caixinha
Dormir tranquila sem ter medo do meu semelhante
Ah se eu pudesse, se eu pudesse sozinha curar todos os males
Sem precisar da ajuda de todos.
Junta tuas mãos as minhas e vamos dar as mãos
Não esqueça que sozinho ninguém muda todo o mundo.
                               
Salvar com paz e mais alma do que bens materiais.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Quero voar


Sem asas pra voar estou

O sol veio avisar que já é hora
Hora agora de ir embora
De guardar o que restou
Mas ninguém escuta o meu falar
É que eu quero, eu quero voar!
Olhar de lá estrelas do chão
Não é aqui que vou ficar
E eu nem quero saber a direção
Eu vou, só vou se o vento me guiar
Asas não tenho e só penso em voar
Bem longe da mentira
Da alegria doente dessa gente
Que se triste alguém vê feliz fica
Eu vou ficar, porém não mais nesse lugar
Ontem vi a lua brilhar sozinha
E a ela quero me juntar
Ao céu ao mar, ao sol tão só
Sentir o vento beijar minha face
Meus cabelos acariciar
Eu já sei e sussurrei da ausência
Asas brancas aqui faltam
Elas não existem mais
Só pra quem acreditar
E eu acredito tanto, você verá
Qualquer dia desses eu vou
Eu vou voar!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Melhor daqui

Vou jogar areia do mar
Pra de cá construir teu lar
E não vingar, sem fincar, cair ao chão
Sem ver, onda e maré
Me completar, reerguer
Da cinza o pó de cá
Do sem teto de lá que gritou sem dor
Olha só se já não é aquele amor
Renasceu sem dó pra virar um só
E eu tão só, tão só
Vi você chegar pra me buscar
E a dor tirar daqui
E aqui ficar por mim
Pra mim que só
E de só não tenho mais
Tenho a você e só, somente a ti
E a mim e a ti fica de cá
E o de lá deixa, deixa pra lá
Que é aqui e somente aqui que você está